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Como censurar o Outro se devo respeitar o direito de acreditar em que ou em quem quiser, ou mesmo não acreditar? Como censurar o Outro se devo respeitar o direito de acreditar em que ou em quem quiser, ou mesmo não acreditar? Foto: Reprodução

Em todas as experiências religiosas o ser humano surge como o elo, ou na maioria das vezes como o destinatário desse viver voltado para o outro, para uma realidade superior ou inferior divinamente falando

 

A dimensão espiritual e mística do ser humano é na verdade a maneira mais inocente de aceitar que diante de tudo o que acontece de fato em nossas vidas está muito além daquilo que podemos explicar e procurar de certa forma mensurar de maneira lógica e racional. Como aceitar que a vida de cada indivíduo possa ser regida e moldada por princípios e valores espirituais que na grande maioria das vezes vão de encontro de maneira contraditória e opositora àquilo que a natureza humana nos impele desde nosso nascimento até o findar de nossa existência?

A religião, que nos religa, surge como uma experiência de ligar o ser humano ao divino, ao místico, ao inexplicável, vem de certa maneira corroborar a incapacidade desse ser em olhar para sua existência e afirmar-se como o senhor do próprio destino, tendo domínio total do seu mundo e de suas atitudes.  Em todas as experiências religiosas o ser humano surge como o elo, ou na maioria das vezes como o destinatário desse viver voltado para o outro, para uma realidade superior ou inferior divinamente falando, tornando a religião uma maneira de está voltado para aquilo ou aquele que pode de certa forma, está além da compreensão de cada indivíduo.

Mas o que existe além do fenômeno religioso, já que conceitualmente todos os aspectos abordados na experiência de cada indivíduo estão, em sua grande maioria, voltados para tornar a vida de cada pessoa um constante desejo de sentimentos e sensações meramente humanas como o gozo, o júbilo, o prazer, a alegria, a saciedade, a paz e etc. Seria a religião uma ponte que liga o ser humano a um cabedal de possibilidades que humanamente falando estão dentro de cada pessoa, ocultas e inertes com potencialidade de aflorar com a evolução natural das coisas?

Quando se fala em fé, em acreditar, surge uma inegável, e às vezes incompreendida maneira conceitual de explicar essa resposta que o ser humano se possibilita a externar dentro do fenômeno religioso. Ter fé, nada mais é que colocar em algo ou alguém uma esperança ou um valor que está além daquele que sente, tornando-a uma peça fundamental no processo ligação com o divino, com o sobrenatural.

Outro fator primordial relacionado ao acreditar, é a individualidade, que deve ser respeitada, pois da mesma forma que cada indivíduo é um, a natureza, os anseios, as necessidades, a maneira de ver as coisas e o mundo também variam de pessoa pra pessoa. Voltamos aqui ao ponto inicial de nossa reflexão, o ser humano.

As diversas e variadas maneiras de institucionalizar o processo religioso, como doutrinas, dogmas, livros, imagens, templos, igrejas, congregações apenas indicam que o ser humano é o ponto de convergência de todo o processo religioso. Surgem a cada dia mais novas denominações religiosas criadas e fundamentadas em preceitos ditos verdadeiros por quem as cria, tornando a religião bem atrativa para todos os tipos e estereótipos de pessoas. Afinal, qual a verdadeira e qual a que realmente funciona? Como censurar o Outro se devo respeitar o direito de acreditar em que ou em quem quiser, ou mesmo não acreditar?

Estamos em período decisivo para o surgimento de uma nova visão de mundo,  visão esta que possui elementos diversos e complexos que exigirão  um profundo senso de imersão no mundo do Outro, na realidade do Outro que aqui quero denominar Ser humano em suas mais variadas faces e complexidades. Atitude essa que nos colocará diante de um desafio, que é caminhar com aquele que é diferente de mim, que acredita em algo que eu não acredito, que vive de uma maneira que não aceito, mas que busca novos tempos de paz, justiça e fraternidade entre todos.

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Publicado em Adriano Oliveira

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