Cidade Em Ação
Powered by Conduit Mobile
Como conseguem dormir sem que a consciência, que é nosso maior juiz, fique martelando sobre a leviandade de um ato? Como conseguem dormir sem que a consciência, que é nosso maior juiz, fique martelando sobre a leviandade de um ato? Foto: Reprodução

Somos responsáveis pelas nossas decisões, e, portanto pelas consequências das mesmas.


Todos os dias nos aparecem situações onde temos a responsabilidade de decidir sobre coisas e atos que interferem na liberdade e na vida de outros. O simples fato de vivermos juntos nos coloca a necessidade de cumprirmos normas, costumes, valores e regras de conduta que impomos a nós mesmos, e esperamos que os outros sigam ou ao menos aceitem. Quando os outros não aceitam e manifestam um comportamento adverso afirmamos que não tem moral ou não tem valores. 

Mas existem assuntos e situações que nos colocam em dúvidas sobre a opção correta que devemos tomar até o dia em que tais situações batem em nossa porta como drogas, abortos, eutanásia, roubo, violência e tantas outras que nos deixam muitas vezes inertes e sem ação.

Fico me perguntando o que se passa na cabeça de políticos, assessores, gestores e várias outras pessoas que tem a função de gerenciar recursos que pertencem a outros ou que estão destinados a transformar a vida de pessoas que dependem dele quando cometem atos ilícitos desviando pequenos ou grandes valores desses recursos, sendo o outro aquele o qual recaem as ditas ações. Como conseguem dormir sem que a consciência, que é nosso maior juiz, fique martelando sobre a leviandade de um ato? Como conviver com sua família tendo que conviver também com ações que provoquem sofrimento em outras famílias? Diante de sua fé, seja ela qual for, como seguir um princípio divino que é justiça, fraternidade e caridade... que é amor ao próximo? 

Como então diferenciar aqueles que cometem atos imorais, levianos, ilícitos, criminosos contra os outros? A diferença está não na natureza dos atos e sim na natureza de quem os comete. O meliante (ladrão) que costumamos observar em todas as sociedades tem na maioria dos casos um histórico de pobreza, maus tratos, vida sofrida que o impele a buscar algo que nunca teve ou que sonha em ter, mas o que dizer do meliante (ladrão) que tem uma vida digna e abastarda, com o suficiente pra viver, que trabalha, que teve oportunidades na vida e que em certo momento da vida se depara com uma situação onde tem que ser responsável pela vida de muitas outras pessoas que, no entanto comete atos e provoca o sofrimento gradativo e coletivo daqueles que deve proteger. O primeiro tem sua criminalidade aflorada e vivenciada no mundo em que está imerso, já o segundo tem sua criminalidade velada, obscura, pérfida, hipócrita que vai matando aos poucos, vai roubando o direito de ter escolas, saúde, emprego, políticas públicas enfim, “Dá aos outros aquilo que não quer para si”.

Somos todos livres para escolher nossas ações, mas liberdade não implica apenas sabermos distinguir o bem do mal, o justo do injusto, mas sobretudo de agir em função de valores que nós próprios escolhemos. Não há comportamento moral sem certa liberdade. Somos responsáveis pelas nossas decisões, e, portanto pelas consequências das mesmas. A responsabilidade implica, em sentido global, sermos responsáveis por nós próprios, mas também pelas outras pessoas.

Como imaginar que alguém que possui uma conduta moral socialmente irrepreensível, um bom pai de família, temente ao divino, isto é, uma pessoa cuja consciência é capaz de distinguir o bem do mal, de orientar os seus atos e julgá-los segundo o seu valor seria responsável por atos que depõem contra toda a sua reputação ou maneira de ser? A hipocrisia consiste exatamente nisso, vivenciar um estilo de vida apenas para que a sociedade o aceite como tal, mas que na verdade vive imerso em uma conduta meramente egoísta e pérfida que provoca sofrimento e morte.

“A tua piscina tá cheia de ratos. Tuas ideias não correspondem aos fatos. O tempo não para”
“Nas noites de frio é melhor nem nascer, nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros, te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro”
Cazuza

Ler 1673 vezes
Avalie este item
(0 votos)
Publicado em Adriano Oliveira

Conecte-se conosco

Style Setting

Fonts

Layouts

Direction

Template Widths

px  %

px  %