Como um casal humilde foi capaz de fazer mais do que um prefeito com caixa cheio de dinheiro?

Muitas pessoas se sentiam incomodadas e muitas vezes comovidas ao ver aquele homem a qualquer hora do dia às margens da BR230. Fizesse chuva ou fizesse Sol, lá estava ele. Mesmo quem se sensibilizava com a situação e quisesse de alguma ajudar, ao descer do veículo era logo impedido de se aproximar. Gabriel não queria conversa com ninguém. Exceto com o casal Maria Gonçalves Chaves e Dário Francisco de Melo, moradores da Avenida Brasília, no centro de Carolina – 642 km ao sul da capital São Luís.

Em uma das viagens para uma pescaria, Maria Gonçalves decidiu parar para conversar. Foi a primeira de muitas viagens que ela fez na garupa da moto do marido. Levava comida, roupas, cigarros, remédios, tudo o que podia levar para aliviar o sofrimento de Gabriel. “Eu senti que tinha que fazer algo por ele. Decidi buscar ajuda com as autoridades”, disse.

Em um evento no Centro Social, Maria Gonçalves encontrou com o promotor de Justiça Marco Túlio Rodrigues Lopes. Ali começou a luta para tirar Gabriel daquele lugar perigoso na rodovia. “Existe gente má nesse mundo. Umas mulheres atearam fogo numa barraquinha que construímos para ele descansar do Sol e das chuvas. Chegaram até a jogar óleo diesel nele. Aquilo me doía por dentro e perdi várias noites de sono preocupada”, conta ela.

Após dois anos de luta tentando ajudar aquele homem que não se sabia de onde tinha vindo, finalmente a Justiça atendeu ao pedido do Ministério Público e determinou que a Assistência Social o retirasse do local, o encaminhasse para tratamento médico e encontrasse sua família.

A mídia do governo municipal tratou o caso como uma benção dada pelo prefeito. O que não é verdade. Ele foi obrigado a cumprir o que manda a lei. Só isso! Nada mais.

Após o tratamento determinado pela Justiça, descobriu-se que o verdadeiro nome de Gabriel é Samuel e que ele havia fugido de um tratamento psicológico em Fortaleza (CE), onde reside seus familiares.

Cumprida a determinação judicial, começaram a preparar Gabriel/Samuel para levá-lo para seus familiares. Maria Gonçalves foi impedida de participar dos preparativos. Ela não poderia aparecer nas fotos de publicidade falsa e mentirosa do prefeito Erivelton Neves, da Renovação. Como um casal humilde poderia aparecer com o crédito de ter cuidado de Gabriel por dois longos anos, dos mais de quatro que ele ficou naquele lugar impróprio na BR230? Como essa humildade poderia ser mostrada para apagar a bondade do prefeito obrigada pela Justiça? Como esse casal com poucos recursos foi capaz de fazer muito mais do que um prefeito com os cofres sempre cheios de dinheiro para patrocinar grandes eventos com palco de mais de R$ 1 milhão? Como?

Gabriel, que chamava Maria Gonçalves algumas vezes de mãe, foi embora. Maria Gonçalves foi impedida de se despedir! Ela já sente saudades do amigo…

Maria Gonçalves Chaves era chamada de mãe por Gabriel Foto: Arquivo da família
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